segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ultimo Quartel do Séc.XX na Academia do Porto


O ultimo quartel do Século XX referencia o surgimento tímido 1º e depois explosivo - de onde veio o termo «boom» aplicado a esse ressurgimento - trouxe o nascimento da esmagadora maioria das Tunas estudantis que hoje conhecemos na Academia.


Vamos a par e passo e por ora, quedar-nos nas fundadas oficialmente nos anos 80 do Século XX: Tuna de Engenharia da Universidade do Porto e Tuna Feminina do Orfeão Universitário do Porto.

Trata-se da 1ª tuna exclusivamente de uma Faculdade em Portugal e, no caso da 2ª, da 1ª Tuna Feminina Portuguesa nesta época - o  "Qvid Tvnae" referencia outros agrupamentos anteriores, embora não com carácter formal e permanente.

Refira-se que as datas de fundação nas tunas estudantis referenciadas  são indicadas pelas mesmas, no entanto, sabe-se e com conhecimento de causa, quer junto dos intervenientes, quer presencialmente, que em muitos casos a actividade tuneril já era exercida anteriormente à data de fundação indicada - que não raras vezes serviu o propósito de marcar uma data fixa, ou por força de algum momento em especial (espectáculo, etc) ou então por via da mera fixação dessa data.

Brevemente daremos tal à estampa.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

"Capas Negras" [1947] e a Tuna no Porto.


O Dr. Eduardo Coelho deixa-nos esta interessantíssima reflexão e não menos pertinente análise ao filme "Capas Negras", análise esta que vai mais além na dissecação do conteúdo, contexto histórico e geográfico do mesmo, numa época onde a 7ª Arte em Portugal era particularmente dirigida para a propaganda simples e ao mesmo tempo franca das virtudes nacionalistas, com as tradições culturais bem vincadas nessa cinematografia que nos legou títulos como "O Pai Tirano", "Costa do Castelo", "Cantiga da Rua" e  "Pátio das Cantigas"  - somente para citar alguns.

A iconografia associada ao Estudante não poderia faltar, naturalmente, nesse contexto tão intrinsecamente português quanto genialmente manipulador de massas, tão em voga então nas ditaduras europeias do pós 2ª Guerra Mundial e mesmo anteriormente a este período - recorde-se Franco e o S.E.U. p.ex. - que pretendiam elevar as ditas virtudes e traços genéticos culturais como forma de afirmação de um Povo além mas principalmente, e no nosso caso, aquém fronteiras. Amália contracena neste filme com o grande Alberto Ribeiro - interprete original do tema "E o Porto é Assim", p.ex - um dos nossos grandes tenores portugueses e na senda de Tomás de Alcaide, Luís Piçarra, Tristão da Cunha ou Loubet Bravo. É a análise, quiçá, inédita, do Dr. Eduardo Coelho e face ao filme em causa, que aborda muito mais do que aparentemente, o mesmo sempre mostrou.

Desde logo, a relação também deste filme com a Academia do Porto, aqui superiormente explicada pelo seu autor. Clara fica também - e MAIS uma vez - a inobservância de determinadas figuras naqueles tempos e que hoje se arrogam proprietárias da Praxe. Ao Dr. Eduardo Coelho os créditos devidos e um agradecimento especial meu, pedindo desculpa por este "prefácio" da minha autoria, seguramente menor e logo, dispensável face à superior qualidade do texto abaixo.


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“Capas Negras" é um filme português, realizado por Armando de Miranda em 1947. Tem argumento de Alberto Barbosa e José Galhardo. Os principais actores são Amália Rodrigues, Alberto Ribeiro e Artur Agostinho, Vasco Morgado, Barroso Lopes, Humberto Madeira, António Sacramento e Graziela Mendes.

O filme foi estreado em Maio de 1947 e bateu todos os recordes de exibição até então. A seu lado está Alberto Ribeiro. Foi gravado na Real República do Rás-Teparta, na Rua dos Estudos, em Coimbra. Esta república viria mais tarde a mudar-se para o n.º 6 da Rua da Matemática, onde ainda hoje se encontra, em virtude da demolição de casas de habitação da alta coimbrã para construção das Faculdades. "Capas Negras" esteve 22 semanas em cartaz, tornando-se no maior sucesso do cinema português. Amália obteve o maior sucesso como actriz.”

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Capas_Negras

Não admira que o filme (disponível em http://www.youtube.com/watch?v=2wK6oQzd07g) tenha feito tanto furor à altura – atente-se no elenco. O enquadramento, em si, num espaço físico, social e “etário” que assume quase as proporções de mito – a Coimbra dos relatos humorísticos e saudosos de Trindade Coelho, de Antão de Vasconcelos e de tantos outros que dão sentido à famosa quadra do Vira de Coimbra:


Coimbra, terra de encantos,
Fundo mistério é o seu:
Chega a ter saudades dela
Quem nunca nela viveu.

O encanto do filme reside precisamente na evocação desse espaço-tempo de sonho, que faz com que cada português sinta Coimbra um pouco também como sua e se reveja nas aventuras, venturas e desventuras de uma cidade eternamente jovem.

E é como “documentário” desse “sonho” - passe a contradição – que a película se torna especialmente eficaz.

Para nós, o filme começa a ter interesse a partir de 0:51:41, altura em que a acção se transfere para o Porto

Particularmente interessante é o discurso feito no jantar de despedida do “Coca-Bichinhos”. Antes de anunciar a partida do colega para o Porto, prática corrente à época – e que explica os fortíssimos laços que unem as duas academias e a influência (e até certo ponto descaracterização) que a praxe portuense sofreu por parte da praxe coimbrã(1), o “Manecas” (Artur Agostinho) proclama:

Estamos aqui reunidos na tasca da Ti’ Zefa para festejar o honroso convite que foi dirigido à Tuna e ao Orfeão de Coimbra para se irem exibir triunfalmente em terras de Espanha.

O filme segue o seu curso, com imagens do Porto dos anos 40 (Estação de S. Bento, pontes de D. Maria e D. Luís, Aliados, a Foz, o Coliseu...)

A 1:20:09, surge uma página de jornal com a seguinte “notícia”:

Partiu para Espanha a Tuna Académica de Coimbra que leva como cantor de fados o distinto advogado Dr. José Duarte.

O Jornal de Notícias prossegue:

MADRID, 9 – Estreou-se a Tuna Académica de Coimbra. Êxito extraordinário do Dr. José Duarte.
O Diário de Coimbra dá a seguinte nota:

VIGO, 26 – A Tuna e o Orfeon de Coimbra obtiveram um triunfo completo nesta cidade.
E, n’O Comércio do Porto:

De regresso da Galiza chegam hoje ao Porto a Tuna e o Orfeon da Academia de Coimbra.

Este destaque dado às deslocações dos agrupamentos tuneris portugueses ao estrangeiro (sobretudo a Espanha) era prática corrente. E era indiferente que a tuna fosse do Porto ou de Coimbra: a simpatia era idêntica, sendo os estudantes acarinhados pela imprensa de norte a sul do País.

Especialmente interessante para o “Portus Cale Tunae” é o facto de uma tuna ser filmada nesta cidade.

Em 1:20:46, vemos os tunos de Coimbra a sair da Estação de S. Bento, onde foram recebidos pela população e pelos colegas do Porto , saindo do recinto sob um fortíssimo aplauso e vivas a Coimbra. E nova cena deliciosa: o “Zé Duarte”, ainda trajado, acabado de chegar da digressão, corre ao Tribunal a defender a sua amada “Maria de Lisboa”, que desprezara injustamente. A quantos de nós não sucedeu já irmos para o trabalho ainda trajados, depois de uma digressão ao estrangeiro... ou às janelas das vizinhas...

Contudo, é a partir de 1:30:39 que assistimos a algo inédito – e, cremos nós, irrepetido - em todo o cinema português: uma tuna no grande ecrã.

A cena é filmada na escadaria do Tribunal de S. João Novo (Tribunal da Relação). A música – e sobretudo a letra – transportam o presidente do Tribunal para os seus tempos de juventude em Coimbra e abafam por completo o discurso moralista do Procurador do Ministério Público. A assistência já não consegue ouvir os argumentos sisudos, legalistas e eloquentes do esforçado tribuno. Debalde tenta fazer-se ouvir, mas já ninguém lhe presta atenção, transportados que estão todos pela música que chega do exterior.

E o filme termina justamente nessa nota etérea e quase onírica. A Tuna vem salvar uma inocente das garras de uma lei que se refugia nos aspectos formalistas para obter uma condenação exemplar. No entanto, e pela voz da Tuna, “outro valor mais alto se alevanta”: o amor redime mais que a justiça – um acto de justiça poética, na verdadeira acepção da palavra.

Pelo meio da trama ingénua, alguns aspectos importa retirar, no que à tuna concerne:

1) A popularidade e a estima de que a tuna estudantil goza junto da população em geral;

2) O sentido de fraternidade entre os elementos das duas academias, sem bairrismos bacocos e despropositados;

3) Curiosamente, o “estigma” social de que o “Dr. José Duarte” foi vítima, pelo facto de ser “fadista”, manifesto na ausência de clientes, que desconfiavam das competências científicas do “advogado-cantor”, preconceito que ainda hoje se faz sentir sobre os tunos;

4) A postura da tuna, que interpreta o tema de pé, na escadaria, algo absolutamente incomum numa altura em que as tunas actuavam sentadas;

5) Sendo de Coimbra, a tuna actua de capa pelos ombros, não de capa traçada, ao contrário do que tanto se tem apregoado e praticado;

6) A nível de instrumentos, temos bandolim, guitarras portuguesas e guitarras clássicas, sem qualquer instrumento de percussão visível.

Vimos isto e muitas mais coisas. Mas tão importante como o que vimos é aquilo que não vimos:

a) Vimos camaradagem franca e leal entre estudantes, independentemente da sua posição hierárquica, e entre academias;

b) Vimos uma espera de uma trupe a um caloiro;

c) Vimos que o veterano aparece para pedir protecção para o caloiro, não para agravar ainda mais a situação;

d) Vimos que a trupe pergunta “O que é pela praxe?” – não disparates em latinório macarrónico, como “Quid Praxis?”;

e) Vimos veteranos sempre trajados;

f) Vimos o à-vontade com que o caloiro “Já-cá-canta” (Humberto Madeira) convive com os outros repúblicos, mesmo com os veteranos, tratando-os por “tu”;

g) Vimos colegas mais velhos a brincar com colegas mais novos;

h) Não vimos imbecis a mandar “encher” e a berrar aos ouvidos;

i) Não vimos caloiros de olhos no chão, em posições humilhantes e com ar assustado;

j) Não vimos tanta imbecilidade a que hoje em dia se assiste gratuitamente, praticada em nome de uma invenção doentia a que infelizmente se colou com cuspo o nome de “praxe”;

k) Não vimos pretensos manda-chuvas em bicos de pés, a quererem ficar numa fotografia para a qual não foram convidados e onde fazem tanta falta como uma viola num enterro;

l) Não vimos a tuna a pedir licença fosse a quem fosse para ir onde lhe apeteceu ou fazer o que bem entendeu.

Pouco mais de uma hora e meia passada com um sorriso nos lábios. Definitivamente, um filme a ver e divulgar.


(1) De entre os nomes destes “imigrantes”, avulta o de António Pinho Brojo, que se deslocou para a Invicta pelas mesmas exactas razões que o nosso “Coca-Bichinhos”: frequentar a Faculdade de Farmácia. Este trânsito foi uma constante até aos anos 80, sendo frequente os estudantes de ambas as academias concluírem o curso na outra, fosse para seguirem planos de estudos que as respectivas universidades não ofereciam (Engenharia era um caso paradigmático), fosse para tentarem concluir uma cadeira cujo catedrático os tivesse “tomado de ponta”.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A Tuna Orquestra União dos Empregados de Comércio do Porto - 1907




A Tuna Civil no Porto


De acordo com o "Qvid Tvnae" e no que se refere a este apartado em concreto, consegue-se percebe claramente que a Tuna de índole Civil foi uma realidade no início do Século XX na cidade do Porto. Muitos agrupamentos seguramente e daí em diante poderão ser referenciados.

A Obra "Qvid Tvnae" mostra-nos, contudo, 3 agrupamentos em concreto e referenciados nessa época, sem prejuízo da existência hipotética de outros: A Tuna do Clube dos Girondinos, a Tuna-Orquestra da União dos Empregados de Comércio do Porto e a Tuna da Mocidade Portuense (da qual não se dispõe de dados concretos sobre a sua natureza não estudantil).


Vamo-nos deter agora sobre uma em concreto, a Tuna Orquestra União dos Empregados de Comércio do Porto. Diz o “Qvid Tvnae”:


«Em 1907, nasce a Tuna‑Orquestra União dos Empregados de Comércio do Porto que, segundo O Tripeiro, chegou a ser no género a melhor organização musical do país.
Esta tuna, cuja actividade se manteve até pelo menos 1936, assume especial importância na história portuense, pois foi a própria a ofertar à cidade o seu hino, com música do maestro Figueiras e letra de Maximiano Ricca:

Quando outras razões e importantes razões haveriam não explicassem esta despretensiosa evocação, uma só bastava: o seu nome assinar a composição do Hino da Cidade do Porto, cujo poema o poeta Maximiano Ricca abre desta maneira:
                       
‘Salvé, ó Porto valoroso
                        Ó Porto liberal’.

Foi este hino editado e oferecido à Cidade pela Tuna‑Orquestra União dos Empregados de Comércio do Porto, e oficialmente aprovado pela Câmara Municipal do Porto em sessão de 6 de Novembro de 1913, como se lê no Livro de Vereações de 1913, n.º 167, fls 29 v.º. »


Mais se adianta agora sobre a Tuna da Mocidade Portuense:
Em 1915, O Tripeiro dá conta da fundação da Tuna da Mocidade Portuense:


Dia 14‑15 – Funda‑se a Tuna da Mocidade Portuense, com sede à Praça do Exército Libertador, 117, nova sociedade musical de que faziam parte Mário Gomes de Barros, Ernesto Augusto Rodrigues, Fernando Teixeira, Carlos Gomes Soares, Severino Pinto e António da Fonseca Alves, e de que foi nomeado primeiro regente este último apaixonado amador.


Nesse mesmo ano, a Tuna dos Empregados do Comércio actua na Póvoa de Varzim, no «Teatro Garrett», a 25 de Abril:  «A Tuna dos Empregados do Comércio executou a nova marcha O POVEIRO, composição do Dr. Josué Trocado.»
  
Citam-se os Autores do "Qvid Tvnae", por fim:

“O facto é que nos foi manifestamente impossível verificar todos os arquivos e hemerotecas municipais e distritais. Por outro lado, o facto de muitos dos protagonistas da época não fazerem registo das suas actividades, ou de esses mesmos registos se terem perdido no tempo, dificultou‑nos a tarefa. Numa larga maioria dos casos, também não nos foi possível obter dados sobre o tempo de vigência das tunas acima mencionadas. Pensamos, contudo, haver muito ainda por descobrir e aprofundar, dado o imenso espólio que ficou por explorar, de norte a sul do País e Ilhas.
Ainda assim, julgamos que este breve apanhado é suficiente para se ficar com a ideia da existência de uma prática generalizada em Portugal.”


N.B. - Brevemente deixarei Fotos da Tuna-Orquestra União dos Empregados de Comércio do Porto.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

"Qvid Tvnae?"

Foi recentemente lançado em antecipação o livro de autor "Qvid Tvnae?", que contem seguramente o mais completo historiar da Tuna na Academia Invicta realizado até hoje, para lá da sua natural abrangência que extravasa - e muito - a tuna na Invicta.

Já tivemos acesso ao mesmo livro e asseguramos a sua pertinência, qualidade e rigor científicos, que mostram à saciedade não somente a rica história da tuna no Porto - desde a de cariz civil até à de cariz universitária - como compila recolhas documentais extremamente interessantes.



Não sendo este blogue opinativo - e neste momento em particular para a tuna da cidade e Academia do Porto - é este livro uma autêntica "chapada" em alguns que ousam atacar, ignorantemente, a Tuna da Invicta Academia. Resta-me como autor deste blogue - que bastaria o que já aqui está publicado - esperar que alguns saibam pelo menos ler, já nem pedindo sequer que percebam....

Em breve nos escaparates.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sobre a Tuna na Cidade Invicta...

Para que não se considere este blog "parado", ficam alguns considerandos que, a seu devido tempo, irão ver aqui a luz de forma mais concreta e objectiva.

Estão devidamente documentadas - umas mais, outras menos - algumas outras tunas de carácter não universitário mas antes e sim mais popular, na cidade do Porto bem como nos concelhos limítrofes, tunas essas que alinham directamente com o que ocorria, então - entenda-se finais do Século XIX e todo o XX - nas restantes cidades do país.

A pesquisa entretanto efectuada possibilitou a recolha de várias peças documentais que provam precisamente esse carácter mais alargado do conceito Tuna, que não se resumiu apenas à vivência estudantil mas antes a outros sectores da vida social portuense. Algumas hemerotecas e outros arquivos vários foram devidamente investigados, cruzando-se informação preciosa e absolutamente clara sobre a Tuna em sentido lato, que são preciosas pérolas que, a seu tempo, serão dadas à estampa.

Quanto à Tuna de cariz estudantil haverá pouco mais a dizer e no que se reporta aos finais do Século XIX. Quanto ao de XX mais adiante iremos entretanto, pois ainda há mais informações a desvendar.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Artigo do blog "Porto Académico"

Retira-se na integra e respeitando os devidos créditos de investigação e publicação, este artigo do fantástico blog "Porto Académico" agradecendo desde já.


Fotografias da Tuna Académica do Porto em 1909 (e 1908?)


Em 1909 organizou-se uma Tuna Académica do Porto (ou, consoante o ponto de vista, reorganizou-se a Tuna Académica do Porto) com o objectivo de visitar Santiago de Compostela nas férias do Carnaval (retribuindo uma visita da Tuna de Santiago ao Porto).
Essa Tuna de 1909 é recordada no artigo "Dos tempos que já lá vão", do Eng. A. da Costa Pereira, publicado no Porto Académico, n.º único de 1962, págs. 47 e 50 (com pelo menos uma imprecisão: diz que essa foi a primeira Tuna Académica do Porto, o que está manifestamente errado).
Acompanhando o artigo de Costa Pereira, aparece uma fotografia da Tuna, com fraca qualidade:





(Não conheço nenhuma publicação desta fotografia anterior a 1962, mas posteriormente apareceu algumas vezes, suponho que reproduzida do Porto Académico, com a mesma fraca qualidade.)

Mas eis que a fotografia aparece noutra cópia, num dos blogues de José Pacheco Pereira (Ephemera, um tesouro de documentação vária, sobretudo política mas não só), embora mal identificada (a fotografia foi tirada na Corunha e JPP terá lido mal "Coimbra" na inscrição no canto inferior esquerdo):





E há bónus: a fotografia aparece num conjunto de Fotografias de grupo (início do século XX) onde se vêem mais três com estudantes (mais precisamente, tunos).
Uma destas foi também tirada na Corunha, e é claramente da Tuna Académica do Porto (junto com alguns locais - estudantes do ensino secundário da Corunha?):




As outras duas fotografias foram tiradas em Vila Real em 22/4/1908 e, sendo claramente de uma tuna, não é líquido que sejam da Tuna Académica do Porto.







Mas o fotógrafo parece ter sido o mesmo (JSantos, embora tenha mudado a sua assinatura) e parece-me ver pelo menos duas caras comuns às quatro fotografias:





Seja como for, e apesar das falhas na "nova" cópia da fotografia clássica da Tuna de 1909, esta é uma adição importante para a iconografia académica do Porto (não há muitas imagens da Tuna Académica do Porto, nem sequer de estudantes do Porto de capa e batina, anteriores à República).

[Um abraço ao Tiago Laranjeiro, que me chamou a atenção para estas fotografias no Ephemera.]

Tuna Académica do Porto 1897

Tuna Académica Porto, 1897 Repare-se no número 55, Álvaro de Sousa e sua legenda......