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| Tuna Académica Porto, 1897 |
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Tuna Feminina do O.U.P. 1988
1) Como foi, então, à época, o processo de fundação da Tuna Feminina do Orfeão Universitário do Porto?
MPS -A Tuna Feminina (TunaF) não foi formada como tal, ou seja como tuna. Foi antes uma brincadeira cujas consequências foram, de todo, imprevisíveis.
A inclusão de uma tuna nos espetáculos do OUP foi um desejo da Direção de 1984/85. À época não havia tuna no OUP; apenas havia tuna na AAOUP (Associação dos Antigos Orfeonistas da UP).
Deste modo começou-se a ensaiar alguns temas com o antigo orfeonista entretanto falecido, Lauro Paupério. Era uma tuna que se apresentava de modo “tradicional” (1ª fila sentada, 2ª fila de pé…) e nela se incluíam orfeonistas que tocassem ou “arranhassem” qualquer instrumento, fossem rapazes ou raparigas. Não teve um percurso muito consistente e a tuna acabou por apenas servir para finalizar os espetáculos do OUP com os “Amores de Estudante”.
O que é certo, quando se decidiu mesmo formar uma tuna no OUP, (julgo que a ideia foi até reforçada com uma ida do Tozé Vasconcelos e mais alguém a Cádis, onde tiveram a oportunidade de ver e entender o espírito das tunas académicas espanholas) ela era mista pois integrava quem nela quisesse participar ou soubesse tocar algum instrumento.
Nunca houve qualquer mau estar, que eu sentisse, em relação a haver mulheres na tuna que à data, seriam umas três ou quatro…. Parecia ser tudo aceite com muita naturalidade.
Pessoalmente participava em todas as saídas e brincadeiras, inclusivamente nas serenatas que os colegas decidiam fazer aos lares femininos. Apenas me recatava um pouco…. Estive no batismo da Tuna e assinei a fita do estandarte; toquei nos primeiros FITU’s, fui ao Festival de Tunas “Ciudad de Burgos”,… E nunca me senti mal por isso nem fui mal tratada ou excluída.
Entretanto havia uns tantos tunos que namoravam com outras tantas meninas que não pertenciam à Tuna… É natural que essas não gostassem tanto da brincadeira e, obviamente, iam reclamando…. E, segundo sei, eles lançaram-lhes o desafio para também fazerem serenatas. Se o conseguissem, eles iriam para a Baixa em cuecas!...
Foi assim que surgiu a ideia, não de fazer uma tuna, mas de ensaiar umas musiquinhas para fazer uma serenta…
E assim foi! Como eu era daquelas que “alinhava” sempre em tudo também fui incluída na brincadeira. Escolhemos 3 músicas: uma delas (a “Queda do Império” do Vitorino) cantada por mim e com letra alterada mas apropriada para o efeito, outra com letra original mas adequadíssima (“Que diferença a mulher, do homem, tem? Espera aí, que eu vou dizer, meu bem…”) e uma terceira, de cariz popular.
Entretanto, sabendo-se que um grupo de raparigas andava a ensaiar umas coisas, inclusivamente a aprender a tocar instrumentos com umas dicas dadas pelos próprios elementos da tuna, fomos convidadas a participar no Sarau Cultural da Queima das Fitas de 1988, no dia 1 de maio, no Cinema Vale Formoso.
Foi assim a primeira atuação daquele grupo, que na época não tinha a designação de tuna, nem qualquer pretensão de ter, mas que o Jornal Universitário (JU) refere como tal na sua edição de Junho de 1988: “Também a manifestação mais académica da noite esteve ligada ao ORFEÃO com a apresentação de uma tuna unicamente constituída por mulheres, pois embora ainda não ligada no nome as suas componentes são todas desta “casa”!”
Esse grupo feminino manteve-se junto apesar de não participar regularmente nos espetáculos do OUP. Viria a fazê-lo no Sarau Anual do OUP de 1989.
No entanto, volta a marcar presença na Queima das Fitas de 1989, abrindo o II Festival Internacional de Tunas Académicas, no Coliseu. A esse propósito “O Comércio do Porto”, na sua edição de 14 de maio de 1989, refere “A abertura coube à Tuna Feminina do Orfeão Universitário do Porto, com 21 elementos.”
Acrescento que, nesse ano, foi feita a tal serenata, ao José Alberto Frias Bulhosa, Magister da Tuna Universitária, aquando da festa do seu aniversário. Mas, que eu saiba, os rapazes nunca foram para a Baixa em cuecas. Ou melhor, eles dizem que sim, pois quando lá vão, vão sempre com cuecas….. ;)
2) Tratou-se de algo quase inevitável, uma espécie de rebelião feminista orfeónica ou então um simples acto de criação de algo que faltava ao elenco do espetáculo do O.U.P.?
Como já referi, tudo não passou de uma brincadeira por causa de uma aposta. Nunca houve aquela pretensão de formar uma tuna feminina em oposição à dos homens, muito menos para colmatar qualquer lacuna no panorama cultural e artístico do OUP como tantas vezes ouvi. Não! Foi um mero acaso que levou a resultados inesperados. Longe de nós que tal iria originar o “boom” de tunas que a partir daí se verificou!
Evidentemente que, uma vez formada e com consistência, ela passou a fazer parte do espetáculo do OUP, quanto mais não fosse, diversificando-o. E, obviamente, as raparigas foram, com toda a naturalidade, abandonando a Tuna Universitária.
3) Encontraram resistências, então? Internas, externas?
Pessoalmente, nunca me apercebi de qualquer tipo de resistência ou crítica relativamente à formação de uma tuna feminina. É até natural que houvesse um ou outro comentário mais apimentado mas nada que nos afetasse ou atingisse. Alem disso, o OUP já era um agrupamento misto pelo que a participação de homens ou mulheres no espetáculo era até encarada como coisa normal.
Externamente, enquanto lá estive, também não me lembro de qualquer tipo de resistência ou incómodo. Acho que porque era tudo muito novo e inesperado. A primeira apresentação, em 1988, quando a Tuna ainda não era considerada tuna, foi uma surpresa de que ninguém estava á espera mas, aquando da abertura do II FITA, recordo uma bocas que se ouviram no Coliseu a mandarem-nos coser meias, ir tomar conta das panelas e coisas do género…. E também choveram umas moeditas!...
4) O processo evolutivo foi algo solitário – dado quase não existirem tunas femininas então – ou, noutro sentido, foi colmatado pela envolvência do próprio O.U.P.?
No meu entender, acho que a evolução da TunaF foi um processo solitário. Numa época em que quase não havia outros grupos académicos era natural que nós, orfeonistas, vivêssemos muito virados para o interior do OUP, alheados ao que se passava fora, no ambiente das faculdades.
Por outro lado, o OUP procurava diversificar os seus espetáculos e o surgir de um grupo novo era sempre bem-vindo. Aliás, nem sequer era estranho porque houve diversos grupos que apareceram e desapareceram no Orfeão. Talvez, naquela época a Tuna feminina fosse mais um deles… Sem qualquer pressão ou obrigatoriedade de existir como se fosse um dos grupos base do OUP. Por isso, acho que a TunaF nasceu, foi acolhida e cresceu dentro do OUP.
5) Existem certamente momentos únicos na vida da Tuna Feminina do O.U.P. Quais foram?
Infelizmente não vivi os grandes momentos da TunaF pois em janeiro de 1990 fui viver para Lisboa, sendo obrigada a cortar o cordão umbilical que me ligou ao Orfeão, durante 9 anos, de uma maneira drástica e obrigatoriamente eficaz.
A TunaF deverá ter muitas histórias para contar mas, enquanto membro da sua primeira formação, só poderei destacar o quanto nos divertimos, o entusiasmo, a excitação de estarmos a preparar algo para fazer a tal serenata surpresa!
No aspeto pessoal não posso deixar de destacar um elogio que recebi, da parte de um então aluno da FEUP que, mais de 20 anos volvidos, me disse que nunca há de esquecer como a minha voz enchia o Coliseu ao cantar a “Queda do Império”…
Há meia dúzia de anos, a convite, voltei à TunaF para participar, pontualmente, em alguns festivais e atuações comemorativas como o 20º Aniversário ou o XXV FITU. O facto de a TunaF ter ganho alguns desses festivais comigo em palco e o carinho com que sempre me receberam, foram motivo de imenso orgulho e poder olhar para trás e verificar que de algum modo pude contribuir e fazer parte da sua história é sempre uma sensação indescritível!
6) Vista à distância, como enquadrar hoje a Tuna Feminina do O.U.P no contexto actual Tuneril?
Penso que a TunaF não tem, atualmente, uma vida fácil! A oferta para as estudantes é muita, variada e de qualidade. A vida académica é vivida de um modo mais apressado e não há tempo para se dela disfrutar como se fazia, por exemplo, no meu tempo.
Contudo, sem querer dizer se é bom ou mau, se tem vantagens ou desvantagens, a TunaF é e sempre foi, uma tuna diferente.
Ao longo dos anos tenho assistido a muitas atuações de tunas, a muitos festivais, e, desde logo me chocou ver as tunas femininas como uma imitação das tunas masculinas.
A TunaF tem primado pela diferença ao valorizar a harmonia vocal (ou não fosse ela saída de um orfeão!), ao primar pela feminilidade, pela postura que apresenta em palco, pelo resistir em fazer esquemas acrobáticos com estandarte ou pandeiretas com as outras, frequentemente, fazem.
Recentemente, tem introduzido um ou outro esquema de pandeiretas, normalmente muito subtil, pois os regulamentos dos festivais assim obrigam. No meu entender, é absurdo. Penso que a pandeireta deve ser encarada como um outro instrumento musical e o estandarte deve ser um elemento identificativo e não um objeto para acrobacias.
Por outro lado, a TunaF é um grupo artístico que faz parte do OUP e não pode nem deve ser dissociada dele.
Entrevista 11/10/2016
quinta-feira, 16 de junho de 2016
quinta-feira, 27 de junho de 2013
I FITU Cidade do Porto - 1987
“Numa reunião preparatória das Comemorações dos 75 anos do OUP, algures no final do terceiro trimestre de 1986, ao propor-se um programa de actividades para os 75 anos, foi proposto pela Direcção a realização da [I] Bienal [de Canto Coral do Porto] e de uma exposição, mas achou-se que seria pouco…”
A Tuna Universitária do Porto (tal como a conhecemos hoje) estava a dar os primeiros passos: “eu propus, um pouco a medo digamos, a realização de um Festival Internacional de Tunas Universitárias, já com o nome de “Cidade do Porto” [o comum em Espanha era os festivais terem como subtítulo o nome da localidade de acolhimento], (…) eu vivia em Fafe, e lá via melhor a TVE do que a RTP (coisas do passado recente ) e levantava-me sempre cedo aos Sábados de manhã para ver o Concurso de Tunas do “Gente Joven”.
Sempre imaginava a nossa Tuna do OUP (que era assim ainda chamada) a deixar as cadeiras de lado, a colocar os nossos emblemas da capa bem à vista, a balançar enquanto cantava e mandar umas larachas no meio das músicas…muito à imagem do que via nesse concurso (…).”
No concurso desse ano destacou-se a Tuna Universitária de Medicina de Cádis, razão pela qual foi convidada a vir no ano seguinte, juntamente com o coro da Universidade, já que vários integrantes da tuna pertenciam também ao Coral Universitário de Cádis - um dos convidados para a Bienal dos 75 ano, que, aliás, teve um sucesso assinalável. Porquê um festival de tunas (e não outra coisa qualquer)?
“Apareceu antes, realmente uma ideia de fazermos um Festival de Folclore Internacional… mas como, nessa altura, havia um em cada esquina, a ideia ficou por aí… e avançámos com as iniciativas inéditas ou quase… por uma questão de prestígio e inovação… e resultaram… pena foi que não continuassem com a Bienal… (…) ainda antes do I FITU, eu e o Miguel Araújo fomos convidados a ir a Cádis (presumo que em Junho/Julho 1986) para nos apercebermos do que era o ambiente de Tunas e de Festival de Tunas, que foi num pequeno Certamen de tunas de Jerez de la Frontera, com várias tunas de Espanha… e assim foi durante 4 dias! O FITU já foi organizado muito à imagem de um Certamen… com pasacalles, apresentações noutras cidades, etc.”
O I FITU teve um carácter não-competitivo: o que se pretendia era assinalar as bodas de diamante do OUP, por um lado, e criar/reforçar laços de amizade e fraternidade académica, por outro. Começámos por investigar que outras tunas de carácter estudantil existiam em Portugal. Em 1986, o panorama era mais do que escasso e resumia-se aos dedos de uma mão: OUP, Associação dos Antigos Orfeonistas da UP, Tuna Académica da Universidade de Coimbra, Estudantina Universitária de Coimbra, Tuna dos Politrecos da UTAD e Tuna Académica do Liceu de Évora.
Responderam favoravelmente a Tuna da AAOUP (nem podia deixar de ser), a TALE e os “Politrecos”. De Coimbra, a TAUC respondeu que “ao Porto, nem pensar. Nós só participamos em Certamenes em Espanha.” Respeitou-se a vontade. Perante uma resposta deste teor, já nem se convidou a Estudantina. Era este o lamentável estado das “relações” entre instituições universitárias nesses tempos. Felizmente, assistiu-se a uma inversão total: Estudantina e Universitária só não são irmãs no papel – prova do amadurecimento pessoal e institucional. A partir daqui, a história do FITU é conhecida, com os seus altos e baixos, grandezas e misérias, encontros e desencontros com a História.
[Agradecimento ao Tó-Zé Vasconcelos pela paciência e ao Eduardo Coelho pelo preciso auxilio…]
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Tuna de Engenharia da Universidade do Porto - 1988
Do historial da Tuna de Engenharia da Universidade do Porto retiramos o seguinte texto - muito pouco mutável, aliás, ao longo dos anos se analisados alguns libretos de certames de outros tempos. De notar que no seu sitio na internet - http://gnomo.fe.up.pt/~teupwww/novo/index.php - consta ainda a relação dos seus fundadores e onde se constata a sua natureza mista à data da sua fundação.
"Nasce a 7 de Novembro de 1988. O Rio Douro, os barcos rabelos, os monumentos, as ruas, o ressurgir das Tradições Académicas, fazem com que a Urbe reconheça o seu peso histórico, Berço ideal para que, inspirados pelo romantismo e beleza da Cidade Invicta, se concretize um velho sonho: A Tuna de Engenharia da Universidade do Porto!
Sendo a segunda Tuna mais antiga da Cidade do Porto e a primeira exclusiva de uma Faculdade é pois, precursora do fantástico movimento musical que entretanto se gerou. A formação de Tunas na maioria das Universidades, Faculdades e Institutos da Academia do Porto e do resto do País, assim como os sucessivos Festivais e Encontros de Tunas são disso prova.
Tem por apanágio o convívio são, boémio e com cantigas que deleitam. Ponto de encontro de amizades, com chatices à mistura, revela um espírito peculiar pela motivação e empenho que deve reger o seu comportamento.
Pela Praxe: disciplina e educa.
Pela Música: instrui e diverte.
Pelo Espírito: é perseverante e lutadora.
As suas canções ficaram marcadas no tempo, no disco que a Tuna editou na Queima de 93, e no CD "Para lá dos Palcos" editado em Março de 2007, contendo clássicos da TEUP como "Só um beijo" ou "Ojos de España", até instrumentais como as "Czardas" de Monti ou "Peer Gynt" de Grieg.
O carinho que toda a Academia lhe dedica, é a razão de ser dos sucessivos convites para as diferentes actividades académicas, e outras, que lhe têm sido dirigidos. A Tuna de Engenharia da Universidade do Porto, será sempre uma presença certa no meio universitário, nas ruas do Porto, em serenatas às donzelas e no coração de quem por ela passou e irá passar."
[Agradecimentos: Marco Coelho e Pedro Gonçalves - TEUP]
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Ultimo Quartel do Séc.XX na Academia do Porto
O ultimo quartel do Século XX referencia o surgimento tímido 1º e depois explosivo - de onde veio o termo «boom» aplicado a esse ressurgimento - trouxe o nascimento da esmagadora maioria das Tunas estudantis que hoje conhecemos na Academia.
Vamos a par e passo e por ora, quedar-nos nas fundadas oficialmente nos anos 80 do Século XX: Tuna de Engenharia da Universidade do Porto e Tuna Feminina do Orfeão Universitário do Porto.
Trata-se da 1ª tuna exclusivamente de uma Faculdade em Portugal e, no caso da 2ª, da 1ª Tuna Feminina Portuguesa nesta época - o "Qvid Tvnae" referencia outros agrupamentos anteriores, embora não com carácter formal e permanente.
Refira-se que as datas de fundação nas tunas estudantis referenciadas são indicadas pelas mesmas, no entanto, sabe-se e com conhecimento de causa, quer junto dos intervenientes, quer presencialmente, que em muitos casos a actividade tuneril já era exercida anteriormente à data de fundação indicada - que não raras vezes serviu o propósito de marcar uma data fixa, ou por força de algum momento em especial (espectáculo, etc) ou então por via da mera fixação dessa data.
Brevemente daremos tal à estampa.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
"Capas Negras" [1947] e a Tuna no Porto.
Fundo mistério é o seu:
Chega a ter saudades dela
Quem nunca nela viveu.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
A Tuna Civil no Porto
De acordo com o "Qvid Tvnae" e no que se refere a este apartado em concreto, consegue-se percebe claramente que a Tuna de índole Civil foi uma realidade no início do Século XX na cidade do Porto. Muitos agrupamentos seguramente e daí em diante poderão ser referenciados.
Mais se adianta agora sobre a Tuna da Mocidade Portuense:
Citam-se os Autores do "Qvid Tvnae", por fim:
N.B. - Brevemente deixarei Fotos da Tuna-Orquestra União dos Empregados de Comércio do Porto.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
"Qvid Tvnae?"
Já tivemos acesso ao mesmo livro e asseguramos a sua pertinência, qualidade e rigor científicos, que mostram à saciedade não somente a rica história da tuna no Porto - desde a de cariz civil até à de cariz universitária - como compila recolhas documentais extremamente interessantes.
Em breve nos escaparates.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Sobre a Tuna na Cidade Invicta...
Estão devidamente documentadas - umas mais, outras menos - algumas outras tunas de carácter não universitário mas antes e sim mais popular, na cidade do Porto bem como nos concelhos limítrofes, tunas essas que alinham directamente com o que ocorria, então - entenda-se finais do Século XIX e todo o XX - nas restantes cidades do país.
A pesquisa entretanto efectuada possibilitou a recolha de várias peças documentais que provam precisamente esse carácter mais alargado do conceito Tuna, que não se resumiu apenas à vivência estudantil mas antes a outros sectores da vida social portuense. Algumas hemerotecas e outros arquivos vários foram devidamente investigados, cruzando-se informação preciosa e absolutamente clara sobre a Tuna em sentido lato, que são preciosas pérolas que, a seu tempo, serão dadas à estampa.
Quanto à Tuna de cariz estudantil haverá pouco mais a dizer e no que se reporta aos finais do Século XIX. Quanto ao de XX mais adiante iremos entretanto, pois ainda há mais informações a desvendar.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Artigo do blog "Porto Académico"
Retira-se na integra e respeitando os devidos créditos de investigação e publicação, este artigo do fantástico blog "Porto Académico" agradecendo desde já.
Fotografias da Tuna Académica do Porto em 1909 (e 1908?)
Em 1909 organizou-se uma Tuna Académica do Porto (ou, consoante o ponto de vista, reorganizou-se a Tuna Académica do Porto) com o objectivo de visitar Santiago de Compostela nas férias do Carnaval (retribuindo uma visita da Tuna de Santiago ao Porto).
Essa Tuna de 1909 é recordada no artigo "Dos tempos que já lá vão", do Eng. A. da Costa Pereira, publicado no Porto Académico, n.º único de 1962, págs. 47 e 50 (com pelo menos uma imprecisão: diz que essa foi a primeira Tuna Académica do Porto, o que está manifestamente errado).
Acompanhando o artigo de Costa Pereira, aparece uma fotografia da Tuna, com fraca qualidade:

(Não conheço nenhuma publicação desta fotografia anterior a 1962, mas posteriormente apareceu algumas vezes, suponho que reproduzida do Porto Académico, com a mesma fraca qualidade.)
Mas eis que a fotografia aparece noutra cópia, num dos blogues de José Pacheco Pereira (Ephemera, um tesouro de documentação vária, sobretudo política mas não só), embora mal identificada (a fotografia foi tirada na Corunha e JPP terá lido mal "Coimbra" na inscrição no canto inferior esquerdo):

E há bónus: a fotografia aparece num conjunto de Fotografias de grupo (início do século XX) onde se vêem mais três com estudantes (mais precisamente, tunos).
Uma destas foi também tirada na Corunha, e é claramente da Tuna Académica do Porto (junto com alguns locais - estudantes do ensino secundário da Corunha?):

As outras duas fotografias foram tiradas em Vila Real em 22/4/1908 e, sendo claramente de uma tuna, não é líquido que sejam da Tuna Académica do Porto.


Mas o fotógrafo parece ter sido o mesmo (JSantos, embora tenha mudado a sua assinatura) e parece-me ver pelo menos duas caras comuns às quatro fotografias:


Seja como for, e apesar das falhas na "nova" cópia da fotografia clássica da Tuna de 1909, esta é uma adição importante para a iconografia académica do Porto (não há muitas imagens da Tuna Académica do Porto, nem sequer de estudantes do Porto de capa e batina, anteriores à República).
[Um abraço ao Tiago Laranjeiro, que me chamou a atenção para estas fotografias no Ephemera.]
sexta-feira, 16 de julho de 2010
O 1º passeio da Tuna Universitária do Porto - 1937
Faço um pequeno rewind para vos deixar com um documento extremamente importante a nivel histórico, que contem uma série de informações que, devidamente dissecadas, alicerçam alguns pontos de vista também eles altamente pertinentes para a compreensão da génese quer da Tuna no Porto quer até da génese do fenómeno tuneril em Portugal.
Pese a sua extensão, aconselho leitura atenta bem como as devidas conclusões a retirar do mesmo.
"O primeiro passeio da Tuna Universitária do Porto
notas coligidas por
José dos Reis Gonçalves
15 Maio 1937
O primeiro passeio da Tuna Universitária do Porto
Terminadas as comemorações centenárias da Academia Politécnica e Escola Médico-Cirúrgica do Porto, a Tuna Universitária do Porto pensou realizar um sarau de arte numa das cidades da província com o intuito de criar nos seus componentes a ideia de agregação num tão simpático agrupamento musical, pois pelo facto de ter sido criada para colaborar nas festas dos centenários, não deveria desmantelar-se no final delas, porque prometia ser um laço de união entre os alunos das várias Faculdades e um meio de maior cultura dos mesmos estudantes.
A iniciativa ganhou raízes, e decorridos poucos dias já estava assegurada a viagem à linda cidade de Vila Real. O jornal da cidade “O Vilarealense” foi o primeiro a dar o alarme, e no dia 29 de abril de 1937, já publicava a notícia seguinte:
“Em 15 de maio próximo visita a nossa terra a Tuna Académica da Universidade do Porto. Os simpáticos hóspedes virão em camionetes pelo Marão, onde tencionam demorar umas horas num alegre pic-nic.
À noite realizam um sarau de gala no Teatro Avenida, revertendo o produto, se o houver, em favor do Hospital da Misericórdia. É madrinha do grupo a professora nossa gentil conterrânea senhora D. Danila Cardona.”
Entretanto a troca de correspondência continuava, intensificaram-se os preparativos, faziam-se ensaios e a imprensa da cidade visitada lançava, pelo mesmo jornal, nova notícia:
“Lançamos na quinta-feira a alvoroçante nova da vinda, a Vila Real, no próximo dia 15, da Tuna Académica da Universidade do Porto.
Começaram os preparativos para a recepção, sendo incansável a madrinha senhora D. Danila Cardona, que não tem tido mãos a medir, juntamente com as suas distintas colaboradoras.
Os estudantes, como dissemos, vêm pelo Marão. Na Câmara e no Liceu ser-lhes-hão dadas as boas vindas. Depois a Universidade homenageará o seu antigo aluno Carvalho de Araújo. Às 21 horas e meia, récita de gala no “Avenida”. E, por fim, baile no Clube até de madrugada. O Grupo, diz-nos um dos seus Delegados, traz de tudo e para tudo: futuros médicos, para os futuros doentes; futuros farmaceuticos, para os futuros amigos dos xaropes; futuros engenheiros, para os futuros partidários do progresso; futuros matemáticos, para as futuras donas de casa; futuros naturalistas, para as futuras amadoras de hortliças e galinhas; futuros químicos e físicos para o que der e vier, etc.
Boa disposição, apetite, alegria, mocidade e animação. Magnífica música, tangos, fados e guitarradas, solos de harpa e uma comédia (muito boa!), variedades, preços baratos.
O dia 15 do corrente vai ficar memorável em Vila Real. O nosso desejo é que os ilustres hóspedes levem a melhor impressão da Princesa do Corgo.”
Chegado o dia ansiado, efectuou-se a partida no meio da maior alegria. A imprensa do Porto, sempre pronta a servir, manifestou-se. O jornal “O Primeiro de Janeiro” escrevia:
“Vila Real, a formosa e hospitaleira cidade transmontana, recebe hoje a visita duma embaixada artística dos alunos da Universidade do Porto.
Pela primeira vez, após a sua recente reorganização, a Tuna Universitária do Pôrto, sob a direcção do proficiente e distinto”maestro” Afonso Valentim, vai realizar a outra terra um espectáculo – espectáculo com um programa selecto e de responsabilidade – que terá, além da nota artísitica, uma outra que nos agrada salientar: destinar-se o produto líquido da récita ao Hospital de Vila Real. Com a Tuna, segue também o seu corpo cénico, que se apresentou pela primeira vez e sob a direcção do nosso presado colega Ataíde Perry, que para este espectáculo escreveu, propositadamente, uma comédia em um acto e dois quadros, intitulada: “Quem tem capa...”, interpretada por alunos das nossas Faculdades.
A par da alegria e entusiasmo que a excursão desperta entre os estudantes, está a das senhoras da Comissão de Honra de Vila Real, á frente das quais se encontra a senhora D. Danila Cardona, que, assim, iniciará, com a sua assinatura, o “Livro de Honra” das Madrinhas da Tuna.
Vila Real estará hoje, portanto, em festa e orgulhosa da visita da Tuna Universitária do Porto.”
A seguir, continua o jornal:
“ A partida tem lugar pelas 7,30 da Praça Parada Leitão, frente à Faculdade de Ciências. Em camioneta seguirão os excursionistas, em número de 60, acompanhados pelos directores artísticos e representantes da Imprensa diária desta cidade.
Amarante será o ponto da primeira paragem, a fim de se almoçar. À chegada a Vila Real, haverá recepção no Govêrno Civil, Câmara Municipal e Liceu, após o que se prestará, junto do respectivo monumento, homenagem a Carvalho de Araújo.
À noite, no Teatro Avenida, realiza-se o espectáculo com a Tuna, comédia “Quem tem capa...”, Orquestra de Tangos, Guitarradas, números cómicos, canções brasileiras e fados.
Fará a apresentação da Tuna o distinto professor do liceu de Vila Real, senhor Dr. Santana Dionísio, formado pela extinta Faculdade de Letras do Porto.
Em virtude do recente luto do guitarrista de medicina e infatigável presidente da direcção da Tuna, senhor Tiago Ferreira, será orador oficial da embaixada académica o estudante Maldonado Freitas.
Após o espectáculo, realiza-se o baile oferecido pelas senhoras da Comissão de Honra, em homenagem aos visitantes e muito especialmente á Direcção da Tuna, constituída pelos académicos: Tiago Ferreira e Reis Gonçalves, bem merecedores de aplausos e elogios.”
O que depois da partida se passou, melhor dirá ainda e mais uma vez a imprensa desta cidade. Assim o jornal “O Primeiro de Janeiro” inseria nas suas colunas o seguinte: “A visita da Tuna Universitária do Porto a Vila Real constituiu para aquele aplaudido agrupamento artístico e portanto para o seu proficiente “maestro” Afonso Valentim, um novo triunfo.
Do Porto até à formosa cidade transmontana foram os nossos académicos alvo de grandes manifestações de simpatia, principalmente em Amarante, onde se realizou o almoço.
Após uma paragem no alto do Marão, a fim de se tirarem algumas fotografias, as duas camionetas atacaram a última parte do percuso, entrando em Vila Real pelas 15,30 onde aguardavam a chegada da Tuna Universitária os estudantes do Liceu Camilo Castelo Branco. Palmas, vivas entusiásticas e troca de bandeiras, seguindo-se para a Câmara Municipal, onde o senhor Presidente da Comissão Administrativa, senhor Emídio Roque da Silveira, lhes apresenta, em nome do Município, cumprimentos de boas-vindas dizendo que toda a cidade se sente orgulhosa com aquela visita. O estudante universitário Maldonado Freitas agradece em nome dos seus colegas, tecendo um hino às belezas de Portugal. As manifestações de regozijo continuam. No Liceu, o reitor daquele importante estabelecimento de ensino, senhor Dr. Joaquim Almeida da Costa, recorda com saudade os tempos em que frequentava a Universidade e trazia aos ombros uma capa de estudante, tendo para os visitantes palavras de admiração. Maldonado Freitas aproveitando as palavras do Reitor, coloca-lhe uma capa, ouvindo-se então uma demorada salva de palmas. Fala, por último, o presidente da Academia Vilarealenese, estudante Albano Ribeiro. Novos aplausos e o cortejo dirige-se para o Governo Civil, onde apresentam, também, cumprimentos, os excurcionistas.
Vila Real movimenta-se. Em todas as janelas vêem-se agora senhoras que saúdam os estudantes universitários. Frente ao monumento a Carvalho de Araújo, o presidente da Direcção da Tuna, o quintanista de Medicina, senhor Tiago Ferreira, que num espírito de abnegação, embora ferido recentemente por profundo golpe, seguiu para Vila Real em comboio, a fim de não deixar de cumprir a sua missão, evoca a memória do heroico comandante do “Augusto de Castilho” pedindo, como homenagem, um minuto de silêncio. A aluna universditária, senhora D. Alcinda de Souza coloca, então, no pedestal do monumento um lindo ramo de cravos.
Terminados os actos oficiais os estudantes visitam os pontos mais belos de Vila Real, animando com a sua presença e alegria as ruas da hospitaleira cidade.
Após o jantar, no Teatro Avenida, realizou-se o anunciado espectáculo, que decorreu com brilho e entusiasmo.
O senhor Dr. Santana Dionísio, distinto professor do Liceu Camilo Castelo Branco, fez, num belo discurso, a apresentação da Tuna, agradecendo-lhe o estudante Tiago Ferreira que, convém frisar nestas linhas, após este acto, recolheu ao Hotel, não tomando parte, portanto, em qualquer manifestação festiva além das oficiais.
A tuna foi em todos os seus números aplaudidíssima e o “maestro” Afonso Valentim distinguido com chamadas especiais. O corpo cénico, constituído pelos estudantes D. Maria de Lourdes Melo, D. Alcinda de Souza, D. Maria Luisa Couto, D. Aida de Brito e senhores Albano Costa, José Meireles, Sá Lima, José Rebelo, Fernando Brochado e José Beleza, interpretaram com segurança e correcção, ouvindo no final muitas palmas, a engraçada comédia em 1 acto e 2 quadros “Quem tem capa...”, original do nosso prezado colega Ataíde Perry e por ele escrita propositadamenet para o corpo cénico de que é director artísitico.
No acto variado a “Orquestra de Tangos” constituiu um sucesso e as “Guitarradas” foram muito aplaudidas assim como, em número de declamação, D. Alcinda de Souza, Albano Mata e José Meireles; Sá Lima em sortes de ilusionismo e Hernâni Oliveira em solo de harpa.
Terminado o espectáculo seguiu-se no salão do Clube, o baile oferecido pelas senhoras D. Maria Luísa Guedes, D. Maria Irene Mota Costa, D. Giginha Lameirão, D. Augusta Ruas, e D. Danila Cardona, a gentilíssima Madrinha da Tuna a quem, no espectáculo, foi oferecida uma linda lembrança,
O baile que esteve animadíssimo e foi optimamente servido, acabou depois das 7 da manhã de domingo, servindo ainda de pretexto para que o excelente elemento da Tuna, senhor Mário Delgado, em números de canto e música, fosse aplaudidíssimo.
Às 8,30 de anteontem a Tuna Universitária abandonava Vila Real trazendo e deixando inúmeras saudades. Constituiu, portanto, a primeira digressão artísitica da Tuna, um assínalado êxito que muito honrando a nossa Academia, honra também a Universidade do Porto. Para isso, muito concorreram, pela perfeita organização do passeio, os estudantes: Tiago Ferreira, Reis Gonçalves, José Rebelo e Fernando Vilano.”
Também pela pena do distinto jornalista Hugo Rocha, “O Comércio do Porto” afirmava:
“? Quem não sabe o que é uma excursão de estudantes? Às vezes, é isto: uma excursão que começa no princípio e acaba no meio, sem distinguir o fim...Outras vezes, mais raras, tem princípio, meio e fim. Quando é assim, quando vai de fio a pavio, em perfeita regularidade, quando se assemelha a um corpo normal, com cabeça, tronco e membros, há quem a ache banal, há quem sustente que não presta, há quem encolha os ombros, desdenhosamente. É que a incerteza, a aventura, o desconhecimento do que vai acontecer são, ainda, para quem pensa de tal modo, os melhores atributos de uma excursão de estudantes, duma excursão cem por cento académica...
Quando tudo é certo, regrado, natural, quando uma excursão académica se parece com uma excursão de grupo de vinte amigos, aquele espírito aventuroso, despreocupado, fantasista que anima o estudante de raça, experimenta uma desilusão, tanto maior quanto maior haja sido a regularidade, o bom começo, o melhor decurso e o óptimo desfecho da empresa em que participam.
Certa vez, um antigo condiscípulo, estudante inveterado no hábito da boémia que tão poucas abencerragens conta, na actualidade, confessava-nos, amarfanhado pela garra dum sincero pesar: a nossa excursão foi a mais enfadonha possível. Imagina que chegamos, exactamente, como partimos. E, para cúmulo, ainda trouxemos dinheiro no bolso...
Faça-se, porém, justiça a todos, e a todas as excursões. Há excursões académicas que, apesar de toda a sua regularidade, do seu princípio, do seu meio e do seu fim normalissimos, são, ainda, encantadoras, que são dignas, portanto, de evocação saudosa. Está neste acso a excursão da Tuna Universitária do Porto, segunda série da antiga Tuna Académica do Porto e milagre de entusiásmo e de tenacidade dum grupo de estudantes da nossa Universidade e, principalmente, do esforço e da devoção do Maestro Afonso Valentim.
Não assistimos ao princípio nem ao fim. Só nos foi possível assistir a uma parte – a principal aliás – do meio. Isso bastou, todavia, para que nos convencêssemos, se é que não estávamos, de antemão, convencidos, de que se tratava duma excursão académica das tais que começam, decorrem e acabam bem, duma excursão enfim, de tipo normal e sério, exemplarmente sério.
? É isso razão, porém, para se inferir que, obedecendo aos cânones da regularidade, ela não se destacou pela graça da mocidade, pela vibração do entusiasmo, pelo bulício e pela exuberância da saúde espiritual? De modo nenhum. É mister acentuar, até, que esta excursão, com toda a sua normalidade, com toda a sua seriedade, se distinguiu, extraordinariamente, pela beleza, e grande, colorida e olente flor que não feneceu, ainda, no jardim das tradições estudantis.
Contemos, porém, em singelo epítase que não pretende ser reportagem circunstanciada, como decorreu essa excursão académica que teve a meta numa cidade formosa e acolhedora entre as mais formosas e acolhedoras: Vila Real.
Às 9 horas da manhã, nesse sábado primaveril, propício à alegria da mocidade e ao prazer da viagem, a caravana abalou. Dois autocarros apojados de capas negras, de instrumentos músicais, de sadia despreocupação. Fala-se de tudo – do tempo, da guerra espanhola, da coroação dos soberanos britânicos, dos passados, presentes futuros amores, da beleza da paisagem, das curvas da estrada, desagradáveis para quem é atreito ao enjôo, da festa desse dia, dos olhares femininos que, perturbantemente, se vão fixar sobre as capas e batinas e fitas da estudantada – menos da proximidade dos exames, da ferocidade dos lentes e do peso dos chumbos...
Depois, em Amarante, com o Tâmega a lembrar tropos aquilinos de António Cândido, alexandrinos brumosos de Teixeira de Pascoais, o almoço faz aumentar a vibração ansiosa do entusiasmo, fazendo diminuir a vibração ansiosa das paredes gástricas, exarcebada pela viagem e pelo ar puro, o melhor dos aperitivos...
Às 3 horas e meia da tarde, transposta a serra, a meia centena de estudantes, instalada nos cómodos estofos das duas viaturas, entram, triunfalmente, na capital da província de Trás-os-Montes e Alto-Douro. O Sol, com sua cornucópia ubérrima, derramava ouro líquido sobre a bela terra transmontana. O público, parado nos passeios, sorria para os excursionistas. E os excursionistas, das janelas e portinholas dos autocarros, sorriam para o público. Ora, este intercâmbio de sorrisos é promitente duma excelente recepção. Assim aconteceu.
A primeira visita oficial foi aos Paços do Concelho. O presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Vila Real, senhor Dr. Roque da Silveira, saúdou os excursionistas, afirmando-lhes que a cidade de Vila Real se sentia honrada com a visita da Tuna Universitária do Porto, conjunto artístico que já provara a sua elevada categoria sob a regência do maestro ilustre que é Afonso Valentim.
Maldonado de Freitas, um rapaz de pequeno corpo e alma grande que é finalista do curso de Farmácia e não tem papas na língua, quando é preciso dizer o que sente e o que pensa, proferiu o discurso protocolar de agaradecimento, declarando, com fogo nas palavras, que os componentes da Tuna Universitária do Porto se sentiam em Vila Real como nas suas próprias casas. E não se esqueceu de acentuar que aquela excursão de estudantes à cidade do marinheiro heróico e glorioso que se chamava Carvalho de Araújo tinha, a par do artísitico, o significado fraternal, pois poderia contribuir para o estreitamento das relações entre o Porto e Vila Real que, por sôbre o Marão, deveriam fraternalmente, abraçar-se. Houve palmas. As capas agitaram-se, como asas negras de águias gigantescas, após o vôo sobre a serra vasta...E, dali, toda a estudantada seguiu para o Liceu. Grupo compacto, a preto e branco, monotonia de cores alterada, graciosamente, pela meia dúzia de vestidos das estudantes, que integradas no corpo único da Tuna, tomaram parte na excursão, todos os olhos o fitavam, curiosa, amável, acolhedoramente.
O reitor daquele estabelecimento de ensino, senhor dr. Almeida e Costa, proferiu o discurso de saudação, afectuoso e brilhante. Maldonando de Freitas, uma vez mais, respondeu, em nome da Tuna, falando do intercâmbio intelectual a que aquela embaixada universitária portuense se propunha também.
Como presidente da academia vilarealense, o estudante Albano Ribeiro associou-se, com palavras timbradas pela emoção, àquele acto de homenagem, no primeiro estabelecimento de ensino de Vila Real, aos membros da Tuna Universitária do Porto. Reboaram, também, estrepitosas e prolongadas, as palmas de visitantes e visitados. E a falange estuante dos tunos portuenses saíu do Liceu, encaminhando-se para o Governo Civil.
O chefe do distrito, senhor tenente Assis Gonçalves, estava ausente. Foi o seu secretário quem recebeu a embaixada e agradeceu os cumprimentos que ela levava ao representante do Governo na sede do distrito.
Não estavam findas, porém, as solenidades da chegada. Junto do monumento a Carvalho de Araújo, um poema épico lavrado em granito e bronze, os excursionistas detiveram-se. Um instante de recolhimento espiritual. E o quintanista de medicina Tiago Ferreira, de luto pesado –seu pai morrera, poucos dias antes -, improvisou uma saudação emocionada à memória do comandante do “Augusto de Castilho”, pedindo que, para melhor ser evocada, os seus companheiros se conservassem, um minuto , em votivo silêncio . E foi impressionante a cerimónia, naquela avenida que a estátua do herói domina, o braço estendido, o olhar a direito, a atitude enérgica do comando – do comando supremo, do supremo sacrifício pela honra de Portugal.
Uma estudante universitária, D. Alcinda de Souza, pousou um ramo de cravos no soco do monumento. Era a oferta da mocidade académica, uma oferta simbólica, porque os cravos valem como um emblema da mocidade...
A embaixada académica segue para o Clube, o alfobre da melhor sociedade de Vila Real. As mais lindas raparigas da cidade recebem, ali, os excursionistas. D. Danila Cardona, a madrinha da Tuna Universitária do Porto, preside, pela sua qualidade venerável, à solenidade que se traduz num delicioso ”Porto de Honra”, devidamente honrado. E Maldonado de Freitas, em meia dúzia de palavras chamejantes – tanta beleza e tanta graça femininas haviam ateado as chamas da sua emoção – agradece aquela recepção que passava de palavras para transcender ao supra-sumo da doçaria regional e do melhor vinho da orbe.
Depois, rapazes e raparigas da excursão espalharam-se pela cidade, visitando o que, em Vila Real, é digno de visita, - ou, antes, uma pequena parte, porque para visitarem tudo, não lhes chegava um dia inteiro, quanto mais um fim de tarde. E foi a concluirem essas visitas de carácter turístico que os fomos encontrar, quando, por volta das 19 horas e meia, o automóvel que nos conduzia, mais a Afonso Valentim e sua esposa, parou em frente da porta do hotel e dele passaram para a sala de jantar os nossos corpos derreados, sem tempo nem vontade para digressões citadinas... Uma substancialíssima sopa de legumes, único alimento consentido pela má digestão dum almoço nupcial, restaurou as energias dos recem-chegados e permitiu a Afonso Valentim aquela firmeza na batuta, imprescindível a uma regência perfeita.
O Teatro Avenida, que não envergonha Vila Real, não se encheu. Verificamos mesmo, com natural desgosto, que o público local não correspondeu, como era lícito esperar, à iniciativa da Tuna Universitária do Porto, tratando-se, como se tratava, duma récita de gala e, sobretudo, de beneficência
Todavia, é mister reconhecer que, entre as centenas de pessoas que se viam naquela casa de espectáculos, figuravam algumas das melhores famílias de Vila Real. Certo, o escol da cidade estava ali. E estavam ali, guarnecendo os camarotes, num dos quais se via o governador civil do distrito, as mais lindas senhoras da capital da província.
Capas negras e pastas artísticas com as fitas representativas das quatro Faculdades da Universidade do Porto ornavam o friso dos camarotes.
Formada a Tuna, com Afonso Valentim à frente, o senhor Dr. Santana Dionísio, professor do liceu local, escritor e conferencista distintíssimo, adiantou-se, capa negra pelos ombros, para proferir o discurso de apresentação. Voz calma e grave, começou:
“Alguns estudantes da Universidade do Porto decidiram vir até nós trazer um pouco da expressão da sua mocidade, da sua alegria, dos seus dons artísticos. Invocando o nosso passado de estudante da mesma Universidade, quiseram algumas senhoras incumbir-nos de vo-los apresentar. É o que vamos fazer da maneira mais breve.”
E acrescenta:
“ Tendo reflectido um instante sobre o que deveria resultar de espiritualmente proveitoso desta apresentação – pois, por princípio, detestamos as tarefas e situações puramente decorativas – achamos que, por um lado, tratando-se de um sarau musical, no qual vai ouvir-se um pouco de Beethoven, de Schubert, de Grieg, o melhor que deveríamos fazer, nesta circunstância, seria dizer alguma coisa sobre a arte que será o tema fundamental deste serão, tentando exprimir algumas sugestões sobre o que será a música, qual a sua origem, qual a razão, enfim, da misteriosa necessidade que dela existe, e existirá sempre, na alma humana. Por outro lado, devendo dar diante dos moços visitantes alguma prova de que não só temos em estimação a arte que cultivam mas ainda que não desconhecemos as origens da sua agremiação, e o espírito que a anima, afigurou-se-nos que o melhor tributo de simpatia que, em nome de Vila Real, poderíamos prestar aos seus hóspedes desta noite, seria o evocar diante deles uma das figuras que mais grata deve ser às suas memórias – a do organizador e regente da Tuna Académica do Porto da última geração escolar dessa cidade, Modesto Osório.”
Falou, depois, da música, definindo-a segundo o pensamento do filósofo dos Sonetos:
“- Na sua opinião os povos antigos não tiveram da música senão os seus elementos: o ritmo e a melodia. Foi com a inquietação do homem moderno, de educação sentimental, melancólico, revoltado, versátil, que a música teria aparecido. Antero acreditava, porém, que esta inquietação era uma doença transitória do homem; com o tempo o seu espírito pacificar-se-ia pela razão, pela vigilância crítica, pelo conhecimento progressivo e lúcido das coisas. Que seria então da música? No parecer do grande poeta filósofo, à medida que o homem fosse caminhando no sentido dessa racionalização, a música iria sendo abandonada, até desaparecer um dia. A sua arte estava ligada à existência do homem, veemente, inquieto, perturbado por entusiasmos fugazes, quebrantos, golpes de melancolia. No dia em que sobre a terra o homem se curasse pelo pensamento desse humorismo, a música tinha finda a sua missão: deixaria de existir.”
Depois de analisar o conceito anteriano, o senhor Dr. Santana Dionísio acrescentou:
“-Na verdade a música é a mais perene e humana das artes. Se ela é ou não eterna, não é legítimo afirmá-lo. O que pode assegurar-se é que ela só desaparecerá com o último homem. Onde está a alma humana estão a esperança e a desesperança indefinidas, está a reminiscência de não se saber o quê, está o devaneio e o sonho. Qual a voz para exprimir as causas desses indeterminados estados de alma? Esses anseios sem objectivo? Esses inefáveis anelos do nosso espírito? Todas as Artes nasceram para o tentar dizer. Mas verdadeiramente só a Música levou ao extremo da veemência e ao mesmo tempo da discrição essa aspiração de entendimento essencial e comunicação essencial do mundo e de nós próprios. A música é uma espécie de brisa, ou antes, um misto de vento e claridade, que abre no nevoeiro do insondável abismo que é o Universo, fundas clareiras através dos quais, em certos instantes fugitivos e supremos, parece antever-se a sua mais recôndita essencialidade. Como é que o homem poderá prescindir algum dia dela?
Ao contrário de Antero, o que é verosímil prever é que o homem quanto mais conscializado for, mais profundamente necessitado será da música.”
E, depois de uma enternecida referência a Modesto Osório, que fundou e dirigiu a antiga Tuna Académica do Porto, o senhor dr. Santana Dionísio rematou o seu brilhante discurso, focando, ainda, a personalidade do artista de quem foi amigo e com quem privou:
“-Seja como fôr, o que nós queríamos nesta ocasião sugerir é que é pela invisivél influência desse obscuro estudante e artista que por ventura devemos o prazer íntinmo de receber esta visita dos estudantes do Porto, aos quais desejo, em nome de todos os que vão escutá-los, apresentar as expressões mais cordiais de boas vindas.”
O talentoso professor saudou, também, o maestro Afonso Valentim, o obreiro daquele milagre artístico do renascimento da Tuna Universitária do Porto, afirmando-lhe a sua admiração sincera. Recebeu muitos e merecidos aplausos.
Tiago Ferreira, em nome da Tuna, falou, em seguida. Discurso sem pretensões oratórias, em tom de conversa e, por vezes, de desabafo. Aludindo aos esforços envidados para que aquela excursão se efectuasse, o distinto estudante manifestou o seu reconhecimento para com quantos tinham contribuído, por qualquer modo, para a realização daquele sarau. Historiou os prolegómenos da organização da Tuna, rendeu entusiástica homenagem a Afonso Valentim e descreveu diligências efecuadas para que aquela jornada se efectuasse. Foi também muito aplaudido.
Com todo o público de pé, os tunos, de pé também, tocaram o Hino Académico, do dr. Aires Borges, que provocou as primeiras palmas entusiásticas e vibrantes. E, sucessivamente, com notável afinação e homogeneidade instrumental, executaram “Serenade de Mandolines”, de Desormes, “Momento musical”, de Schubert, e “Alma portuguesa”, de Modesto Osório. Afonso Valentim e os seus instrumentistas, cuja apresentação confirmou, em absoluto, o êxito obtido nas récitas estudantis comemorativas do I Centenário da Academia Politécnica e da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, foram distinguidos com aplausos carinhosos, demorados, insistentes.
Intervalo. E o pano, de novo, sobe para a representação da comédia “Quem tem capa...”, que Ataíde Perry, nosso distinto colega da Imprensa, escreveu, expressamente, para aquele sarau e que os estudantes José Meireles, Maria de Lourdes Melo, Alcinda de Souza, Maria Luiza Costa, Albano Costa, João Sá Lima, Fernando Brochado, José Rebelo e Aida Brito interpretaram, com muito acerto, observando o sentido cómico em que o autor a orientou. O público gostou da comédia e gostou da actuação dos vários personagens. Rir a fartar. E não regateou aplausos.
O acto de variedades agradou, também, sem reservas. A Orquestra Universitária de Tangos, que tanto se notabilizou no Teatro Rivoli, foi forçada a repetir os seus dois números. A cadência e a sentimentalidade dos tangos impressionaram o público, que se deixou embalar por aquelas melodias lânguidas e dolentes...
As guitarradas e os fados foram o complemento desse embalo sentimental, sobretudo as primeiras, a cargo de autênticos “virtuoses” do mais sentimental de todos os instrumentos musicais, aquele que, como cantava Hilário, tem a forma de um coração...
Depois, Alcinda de Sousa, Albano Costa e José Meireles divertiram o público com recitativos de feição cómica, já para fazer rir, já para fazer sorrir. Hernani de Oliveira, filho da conhecida e conceituada professora de harpa senhora D. Juliana Falconieri de Oliveira, apresentou-se, a seguir, como harpista de real talento, que é. Uma composição de Hasselmans e uma, deveras graciosa, de sua própria autoria. Aplausos significativos. E João Sá Lima, actor, ilusionista, declamador, o mais completo dos membros do corpo cénico da Tuna Universitária do Porto, mostrou ao público as suas habilidades, habilidades que, um dia, se a formatura – longe vá o agoiro! – não lhe proporcionar uma carreira próspera e feliz, o podem, com todas as probabilidades de êxito, levar, definitivamente, ao palco. Eis o melhor elogio que lhe podemos e devemos consagrar.
A última parte da récita foi preenchida pela Tuna, que tocou, do mesmo modo admirável, ”Marcha Turca” de “As ruínas de Atenas”, de Beethoven, “La mort d’Aase”, de Grieg, “Serenata”, de Schubert, e “Adios Coruña”, de Modesto Osório. Mário Delgado, violinista de talento, tocou, com inexcedível mimo, os solos. Foi, justamente, distinguido com fortes aplausos. É um artista que, onde quer que se apresente, se impõe. D. Danila Cardona, a madrinha da Tuna, no princípio do sarau, foi ao palco, colocando na bandeira daquele agrupamento artístico um formoso laço. O acto, como é óbvio, foi carinhosamente, aplaudido.
Do Teatro Avenida – era cerca da uma hora e meia da madrugada – os membros da Tuna Universitária do Porto e quem os acompanhava passaram para o Clube, refulgente, já, de luzes, de vestidos, de peitilhos engomados, de jóias. A melhor sociedade vilarealense estava, ali, representada pelas mais lindas e elegantes raparigas da cidade. Era aquele o remate brilhante da recepção brilhante dispensada por Vila Real aos seus hóspedes académicos.
Um grupo de distintas vilarealenses, as senhoras D. Maria Luiza Guedes, D. Maria Luiza Costa Lobo, D. Maria Irene Mota Costa, D. Giginha Lameirão, D. Maria Augusta Ruas e D. Danila Cardona, a madrinha da Tuna, promoveu e organizou este baile que se assinalou por uma animação invulgar. Uma boa orquestra exibindo um programa consideravelmente moderno, manteve ao rubro o entusiasmo dos pares, fazendo-os rodopiar no soalho envernizado.
José Moreira, que nos conduziu no seu automóvel, às 7 horas da manhã, para Lamego, afirmava-nos que, no seu tempo de académico - e foi um dos mais irrequietos, irreverentes e engraçados estudantes da geração anterior – a estudantada se divertia mais e melhor...Apesar da opinião exigente de José Moreira, secundado, aliás, por muita gente, o baile foi dos mais animados e dos mais brilhantes a que, na província, teria assistido. D. Maria Luiza Guedes, a mais azougada e alegre das vilarealenses, bastava, por si só, para que o baile fosse, como foi, um prodígio de animação e brilho. O seu encanto comunicativo revolucionou os salões, fazendo dizer a um dos mais endiabrados rapazes da Tuna:
-Eis a última encarnação de Miss Diabo capaz de transformar num paraíso este inferno de fox-trots, de maxixes, de one-steps, de rumbas.
O copo-de-água, servido a meio do baile, foi o triunfo pleno da doçaria regional. O tuno Sá Lima afirmava a quem o quisesse ouvir que a melhor das suas proezas de prestidigitador era devorar dois pastéis daqueles que coloriam as travessas enquanto qualquer outra pessoa só conseguia mastigar um.
Quase às 7 horas da manhã, quando a orquestra gemia o derradeiro tango, havia quem invectivasse o sol, porque este viera lembrar a todos que era tempo de acabar o baile.
Tiago Gonçalves Ferreira, José Reis Gonçalves, Fernando Vilano e José Rebelo foram os membros da Tuna Universitária do Porto cuja devoção e cuja actividade mais concorreram para o êxito da jornada! Honra lhes seja!
Programa geral do espectáculo:
Teatro Avenida
15 de Maio de 1937, ás 9,30
Sarau promovido pela Tuna Universitária do Porto
Programa
I parte
a) Discurso de apresentação
pelo distinto professor Dr. Santana Dinísio
Saudação
pelo presidente da Tuna Dr. Tiago Ferreira
b) Hino Académico .... Dr. Aires Borges
1) Serenade de Mandolines... Desormes
2) Momento Musical... Schubert
3) Alma portuguesa... Modesto Osório
II parte
Quem tem capa...
Comédia em 1 acto e 2 quadros, original de Ataíde Perry.
Distribuição (por ordem de entrada)
Mário Canavezes José Meireles
D. Eufrázia Hermengarda Liberdade da Costa Maria Lourdes Melo
Madalena Caldas Alcinda Souza
Fernanda Palha Maria Luiza Costa
Rosa, criada Álvaro Costa
Paulo Capucho João Sá Lima
Alegria Fernando Brochado
Aleixo Baguinho José Carmo Rebelo
Aurora Capa Aida Brito
A acção passa-se no Porto. Actualidade
Fados. Canções. Guitarradas. Orquestra Universitária de Tangos.
Solos de Harpa, Monólogo, Ilusionismo etc.
III parte
1) Marcha Turca de ”As Ruínas de Atenas”... Beethoven
2) La mort d’Aase... Grieg
3) Serenata... Schubert
4) Adiós Coruña… Modesto Osório
Lista geral dos estudantes
a) Pessoas que acompanharam a Tuna:
Afonso Valentim e esposa
Ataíde Perry e esposa
Hugo Rocha e mãe de uma aluna
b) Estudantes:
1) Tunos
Mário Delgado – violino
Eugénio Pais Cardoso – violiono
Alfredo António Pina – violino
Rolando Costa – violino
Carlos Pinto Rodrigues – violino
Jorge Pereira M. Conceição – violino
Manuel Soares da Costa – violino
Elísio Santos Coelho – violino
Francisco Couceiro – violoino
Fernando Vilano – violino
José Reis Gonçalves – bandolim
Tiago Ferreira – violino
Hildilberto Osório Valdoleiros – bandolim
Angelo Vieira Araujo – bandolim
Ernesto A. Almeida Freire – bandolim
Joaquim Pereira Biscaia – bandolim
António da Silva Freitas – bandolim
Hernani Oliveira – harpa
Paulo Pombo – violão
Américo Volta – violão
Francisco C. Caldeira – violão
Albano M. da Costa – violão
António Carvalho Guerra – violão
Manuel A. Malafaia – violão
Francisco A. Malafaia – violão
Manuel Silva conde – violão
António Vieira Souza – violão
António Correia de Melo – violão
José Carmo Rebelo – flauta
Alfredo Dias Ferreira – violoncelo
António A. Souza Taveira – triangulo
2) Grupo cénico e variedades
Maria de Lourdes N. R.Melo
Alcinda Conceição F. M. Souza
Aida Melo de Brito
Maria Luiza Dias Costa
José da Silva Meireles
João Alexandre Sá Lima
José Alves Rocha Beleza
Lourival Ferreira Vilela
Fernando Brochado
Artur Vale de Serra – guitarra
Artur Maldonado Freitas – orador
José V. G. Sá Teixeira- piano
João Costa – piano
3) Adjuntos:
Maria Amélia de Castro
Jorge Delgado de Oliveira
Nuno Braga Brandão
Elísio Ferreira da Silva
4)Alunos que também acompanharam os tunos:
José Frederico Cepêda Ribeiro
Manuel Antunes Tôrres
Francisco J. Aguiar
Orlando E. Vale Almeida e Souza
Alberto Guimarães
Manuel Rodrigues de Azevedo
Nota
O texto que agora se apresenta foi transcrito de um pequeno bloco de notas intitulado O PRIMEIRO PASSEIO DA TUNA UNIVERSITÁRIA DO PORTO e oferecido pelo seu autor, o antigo tuno José dos Reis Gonçalves, em data imprecisa, à Associação dos Antigos Orfeonistas da Universidade do Porto. É constituído por seis pequenos cadernos - obtidos a partir da sobreposição de quartos de folha de papel costaneira - cosidos uns aos outros, revestidos por uma capa colada do mesmo tipo de material. Com um total de 112 páginas, só 109 e a capa se encontram manuscritas a tinta azul .
A transcrição está conforme o manuscrito de José dos Reis Gonçalves, realizado com base nas reportagens sobre o passeio da Tuna a Vila Real, em 1937, publicadas em O Primeiro de Janeiro, O Comércio do Porto e O Vilarealense, tendo-se apenas actualizado a ortografia usada nos referidos artigos de jornalísticos.
António Huet Gonçalves
AAOUP
Dezembro de 2009
Tuna Académica do Porto 1897
Tuna Académica Porto, 1897 Repare-se no número 55, Álvaro de Sousa e sua legenda......
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É defensável que foi nos anos 80 do século XIX que surgiu, de facto, a Academia do Porto . Já existiam antes nesta cidade estudantes do que...
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