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A Tuna Académica do Porto: Anos 20

Na década de 20 assume a regência Modesto Osório. A Tuna e o Orfeão aglutinam-se sob o nome "Tuna e Orfeão Académico do Porto". Desloca-se à Galiza por diversas vezes, Valladolid, Saragoça, Tarragona, Barcelona, Salamanca e Madrid, onde é recebida por El-Rei de Espanha em 14 de Maio de 1922. Datam desta época as composições de Modesto Osório: "Adeus Corunha", "Porto-Madrid", " A Tua Serenata" e "Alma Portuguesa". Em 1928 sob a direcção musical de Manuel João Alves desloca-se à Madeira e aos Açores.


"A Embaixada da Academia Portuense que chegou a Madrid no dia 14 de Maio de 1922 era esperada pelas autoridades, Ministro de Portugal (Melo Barreto), Consul Geral de Portugal (D. António Solalind), representantes da Universidade Central, da Residência dos Estudantes do Ateneu, das associações dos estudantes, do grupo "Amigos de Portugal" e enorme multidão.

Recebida em audiência no Paço, afirmou-lhe el Rei que o povo espanhol, e ele próprio, tinham o maior carinho para com a nação irmã e vizinha. A embaixada académica servia, assim, a fins diplomáticos...

As duas primeiras récitas deram-se a 15 e 16 no Teatro Espanhol, com casas cheias e êxito clamoroso. Os estudantes tinham levado luxuosos programas elucidativos, em papel couché, colaborados por Teixeira de Pascoaes, Julio Brandão e Ezequiel de Campos. Terminaram os espectáculos com vivas a Espanha e Portugal."

"Num desses dias, a Tuna e o Orfeão resolveram dar uma récita ao ar livre no maravilhoso Jardim del Retiro (Madrid, 1922). No final a bilheteira acusava uma receita de muitos milhares de pesetas. Entre nós deliberamos por unanimidade que esse dinheiro fosse entregue aos governantes da cidade para os seus pobres e assim fizemos. O contentamento provocado por esse gesto exteriorizou-se de forma tal que alguns componentes deste grupo musical tiveram de andar acompanhados para que não os raptassem!"


" Nos primeiros dias de Dezembro daquele ano de 1922, vêm ao Norte, com o propósito de receberem as homenagens das populações, os aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral. No Porto são recebidos festivamente e em 4 organiza o Orfeão Académico um espectáculo em sua honra no Teatro de S. João."

" A recepção no Ferrol (Espanha, 1928), foi estrondosa. A Madrinha, menina de grandes dotes fisicos, materiais e espirituais, apresentou-nos um requintado copo-de-água , todo composto por doces e vinhos dos mais caros. Porém, tão grande gentileza não pôde ser totalmente apreciada por nós porque havia 24 horas que não comíamos coisa "de ir ao lume", como é hábito dizer-se e aqueles doces, embora muito delicados, não eram de molde a satisfazer o nosso apetite. Por essa razão e também para não darmos a conhecer o desconsolo em que os nossos estomagos se encontravam, deixamos na mesa muito do que nos era oferecido e brindamos os donos da casa com algumas canções e fados..."



Fonte: Contra-Capa do CD "Um Percurso"

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