quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Tuna Universitária do Porto: Anos 40 e 50 na imprensa

Fonte: Arquivos digitais da U.P.























quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Os anos 60: Tuna do Orfeão Universitário do Porto


Em 1961 sob a direcção de Belarmino Soares adopta o nome de "Tuna do Orfeão Universitário do Porto". Em 22 de Março de 1962 no Sarau comemorativo do 50º aniversário do O.U.P. a Tuna reune várias gerações no palco do Coliseu do Porto. Participa em variados espectáculos do O.U.P. e nas suas digressões.



Edita em 1962 um E.P. com os temas "Amores de Estudante", "Clavelitos" e "Suite Académica". Alguns anos depois, sob a regência de Nelson Durão grava um segundo E.P., desta vez incluíndo "O Nosso Encontro", "Adeus Corunha" e "Miscelânea".

"No passado ano e a propósito das comemorações do 50º aniversário do Orfeão Académico do Porto e 25º do Orfeão Universitário, foi novamente recordado [Amores de Estudante]. Executado, durante o Sarau realizado no dia 22 de Março no Coliseu do Porto, por uma Tuna constituida por antigos e actuais elementos, constitui um dos mais altos momentos de saudosa evocação e comunhão de sentimentos entre antigos e actuais orfeonistas e tunos. De tal modo calou fundo o seu significado no coração dos actuais orfeonistas, que a Tuna do O.U.P. decidiu incluí-lo no seu reportório, durante as digressões que efectuou pela Galiza e pela Província de Angola. O acolhimento que o público concedeu foi de modo a ultrapassar as melhores previsões. Na maioria dos espectáculos foi a audição bisada e principalmente em Angola o êxito foi de tal ordem que os orfeonistas se viram assediados por pessoas interessadas em conhecerem a letra já que a música tinha ficado gravada no ouvido e no coração, e as emissoras de rádio das diferentes cidades, por onde passou o Orfeão eram solicitadas a incluir com frequência nos seus programas o Tango "Amores de Estudante", gravação do Sarau do O.U.P. ("Recordando" in Jornal do Orfeão 1963)

"Suite Académica. Era manhã de terça-feira de Carnaval....em 1963.
Porque não tinha gozado a noite de Carnaval anterior, acordei fresco e inspirado. De tal modo que, mesmo em pijama e sem me barbear, me senti impulsionado para o pequeno harmónio de minha casa, de grade significado para mim pois nele aprendi a tocar.
Como num jacto, escrevi a Suite Académica, na forma final em que veio a ser apresentada, pois andou no meu subconsciente durante alguns dias, após o pedido de vários colegas para que perpetuasse numa obra as canções mais cantadas pela Academia na altura. A ultima canção da Suite Académica (Solelumeta) foi mesmo trazida da Angola (Fábrica da Cuca - Nova Lisboa), onde tivemos o gratíssimo prazer de ouvir um magnífico coro de indígenas cantar aquela canção e muitas outras do riquíssimo folclore angolano." (Belarmino Soares)


Fonte: Contracapa do Cd "Um Percurso"

segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Os anos 30: Tuna Universitária do Porto

Em 1937, reorganizada pela acção de Tiago Ferreira e Paulo Pombo, toma a designação de Tuna Universitária do Porto, passando a admitir apenas alunos da Universidade do Porto. Sob a orientação do Maestro Afonso Valentim e direcção artística de Mário de Oliveira Delgado, actua numa récita de gala no Teatro Rivoli.

Participa em espectáculos em vários pontos do país e o reportório, para além do "Hino Académico do Porto", é de cariz essencialmente clássico: "Serenata de Bandolins" de Desormes, "Marcha Turca das Ruínas de Atenas" de Beethoven e "Serenata" de Shubert, etc...Aureliano da Fonseca e Paulo Pombo, Orfeonistas, Tunos e membros da famosa Orquestra Universitária de Tangos compõem "Amores de Estudante" e "Nosso Encontro". É nesta data que o Orfeão toma a sua designação actual, "Orfeão Universitário do Porto", e integra naípes femininos, uma inovação. Em 1942 a Tuna e o Grupo de Fados são oficialmente integrados no O.U.P.


" Concomitantemente, Tiago ferreira (estudante de Medicina) e Paulo Pombo (estudante de Engenharia) exaltaram a reorganização da Tuna Universitária, com os estudantes que das quatro faculdades sabiam tocar, pouco que fosse, qualquer instrumento musical. Em breve eramos 34, sendo 14 de Medicina, 13 de Engenharia, quatro de Ciências e 3 de Farmácia "(...)

"O Tango-Canção [Amores de Estudante] foi pela primeira vez tocado no Teatro de Carlos Alberto no dia 2 de Janeiro de 1938. A terminar, com frenéticas palmas, o público exigiu repetição, que levantou a plateia. Desde então os "Amores de Estudante" não mais deixaram de ser tocados e cantados "(...)

"...E no balanço entusiasmado das possibilidades instrumentais havia:
violinos de arcada segura, flautas de bom sopro, violões de bordões firmes (e que também sabiam ler o pentagrama) e até fortuna suprema, uma harpa de boa escola. Deste modo a récita de Gala de 1937, no Teatro rivoli, sob a presidência do Ministro da Educação Nacional, Professor Carneiro Pacheco, com parte coral e parte instrumental, constituí um exito memorável! "(...)

"A Tuna deu inúmeros recitais pelo país, tendo como complemento uma parte teatral dirigida pelo saudoso Atayde de Perry. Manteve-se na porfia do seu sonho defazer Música Instrumental de Beethoven, de Shubert, de Brahms. E auxiliou até, monetáriamente, alunos pobres da universidade "(...)

"Os Antigos Tunos de cursos e formações diferentes jamais perderam o contacto uns com os outros e com a Casa onde se formaram, tornada lar de constante retorno. Sob a égide do Reitor que se seguiu, o Professor Doutor Amândio Tavares - que aceitou o título de Tuno Honorário - os antigos componentes passaram a reunir-se periodicamente, vindos de longe ou de perto. E no ano de 1961, numa dessas reuniões, os antigos Tunos colaboraram até com o Orfeão Universitário, no palco do Coliseu, numa festa de confraternização do mais alto significado".


Fonte: Contra-Capa do CD "Um Percurso"

quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

A Tuna Académica do Porto: Anos 20

Na década de 20 assume a regência Modesto Osório. A Tuna e o Orfeão aglutinam-se sob o nome "Tuna e Orfeão Académico do Porto". Desloca-se à Galiza por diversas vezes, Valladolid, Saragoça, Tarragona, Barcelona, Salamanca e Madrid, onde é recebida por El-Rei de Espanha em 14 de Maio de 1922. Datam desta época as composições de Modesto Osório: "Adeus Corunha", "Porto-Madrid", " A Tua Serenata" e "Alma Portuguesa". Em 1928 sob a direcção musical de Manuel João Alves desloca-se à Madeira e aos Açores.


"A Embaixada da Academia Portuense que chegou a Madrid no dia 14 de Maio de 1922 era esperada pelas autoridades, Ministro de Portugal (Melo Barreto), Consul Geral de Portugal (D. António Solalind), representantes da Universidade Central, da Residência dos Estudantes do Ateneu, das associações dos estudantes, do grupo "Amigos de Portugal" e enorme multidão.

Recebida em audiência no Paço, afirmou-lhe el Rei que o povo espanhol, e ele próprio, tinham o maior carinho para com a nação irmã e vizinha. A embaixada académica servia, assim, a fins diplomáticos...

As duas primeiras récitas deram-se a 15 e 16 no Teatro Espanhol, com casas cheias e êxito clamoroso. Os estudantes tinham levado luxuosos programas elucidativos, em papel couché, colaborados por Teixeira de Pascoaes, Julio Brandão e Ezequiel de Campos. Terminaram os espectáculos com vivas a Espanha e Portugal."

"Num desses dias, a Tuna e o Orfeão resolveram dar uma récita ao ar livre no maravilhoso Jardim del Retiro (Madrid, 1922). No final a bilheteira acusava uma receita de muitos milhares de pesetas. Entre nós deliberamos por unanimidade que esse dinheiro fosse entregue aos governantes da cidade para os seus pobres e assim fizemos. O contentamento provocado por esse gesto exteriorizou-se de forma tal que alguns componentes deste grupo musical tiveram de andar acompanhados para que não os raptassem!"


" Nos primeiros dias de Dezembro daquele ano de 1922, vêm ao Norte, com o propósito de receberem as homenagens das populações, os aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral. No Porto são recebidos festivamente e em 4 organiza o Orfeão Académico um espectáculo em sua honra no Teatro de S. João."

" A recepção no Ferrol (Espanha, 1928), foi estrondosa. A Madrinha, menina de grandes dotes fisicos, materiais e espirituais, apresentou-nos um requintado copo-de-água , todo composto por doces e vinhos dos mais caros. Porém, tão grande gentileza não pôde ser totalmente apreciada por nós porque havia 24 horas que não comíamos coisa "de ir ao lume", como é hábito dizer-se e aqueles doces, embora muito delicados, não eram de molde a satisfazer o nosso apetite. Por essa razão e também para não darmos a conhecer o desconsolo em que os nossos estomagos se encontravam, deixamos na mesa muito do que nos era oferecido e brindamos os donos da casa com algumas canções e fados..."



Fonte: Contra-Capa do CD "Um Percurso"

segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

1913: A Tuna Académica do Porto no jornal " Porto Académico "

" Em Vila Pouca o baile foi no salão da Câmara. As mais lindas raparigas da terra lá vieram trazer-nos os seus sorrisos e a sua graça. E à sua beleza e à suas cativantes maneiras ficaram presos os nossos olhos e gratos os nossos corações de eternos apaixonados.

De madrugada, extenuados, já com duas noites seguidas à vela, o corpo pedia-nos repouso e forçoso se tornou procurarmos uma cama para descansar.
E só conseguimos uma, para quatro ou cinco, onde ficamos como a sardinha na canastra. Ao outro dia, 3 de Junho, logo depois do almoço tomamos o comboio de regresso ao Porto. E coo devido às curvas e contra-curvas do Caminho de Ferro do Vale do Corgo, o balanço do comboio nos dava a impressão de que navegavamos em pleno mar alto, encapelado, a maior parte da "malta" deitou a carga ao mar. Mas eu resisti como um "valente". Eu...e poucos mais. Tinhamo-nos sentado nos degraus da plataforma da carruagem, contemplando o Corgo e o Marão, e a frescura da aragem livrou-nos do desastre....

...de outra vez fomos de longada até Ovar, terra natal do nosso saudoso regente, estudante como nós, Marcos António da Silva Matos. Muito antes da hora do comboio quási todos estavam já a postos na Estação de S. Bento. E, caso curioso, entre os executantes apareceu um rapaz todo vivo, capa e batina, violão engalanado de fitas berrantes, mas que quási ninguém conhecia, porque nunca fora visto nos ensaios. Ora o regente tinha declarado terminantemente que não iriam na excursão todos aqueles que faltassem a um certo número de ensaios. E aquele "adventício" que nunca lá tinha posto os pés, estava, portanto, condenado a ficar em terra, o que lhe foi comunicado. Mas na estação e nas redondezas fez, porém, tais peripécias, com tanta graça e espírito, e tinha ele uma chalaça e um cómico tão irresistiveis, que a Tuna em peso foi pedir ao Regente para o deixar seguir. E foi. Era, o que depois ficamos todos a conhecer, o grande "camaradão" Bordalo de Figueira de Castelo Rodrigo.

E em Ovar a sua graça continuou a expandir-se. É certo que não tocou no espectáculo. Mas ele não foi lá para isso.


Fonte: Contra-capa do CD "Um Percurso"

terça-feira, 29 de Julho de 2008

A Serenata na Academia do Porto

Na cidade do Porto foi hábito frequente realizar serenatas ao longo da segunda metade do século XIX. Guitarristas, cantores, grupos amadores, animavam as ruas do burgo na época estival, com incursões às praias de Espinho, Granja, Leça da Palmeira, Apúlia, e termas das Caldas de Vizela e Pedras Salgadas.

Quando em 7 de Dezembro de 1888 a Estudantina de Coimbra (Tuna) se deslocou ao Palácio de Cristal, uma banda de amadores locais brindou os tunos com uma serenata junto ao Hotel Universal.

O guitarrista, cantor e compositor Reinaldo Varela, nascido em Ponte de Lima no ano de 1867, domiciliou-se na cidade do Porto por volta de 1883, na qualidade de professor de instrumentos de corda, guitarrista e cantor. Aí viveu até cerca de 1900, altura em que passou a residir em Lisboa. Bem relacionado, presença assídua nas praias, termas, teatros e salões, Varela recordava ao periódico “A Canção de Portugal: O Fado”, nº 12, de 18 de Junho de 1916, que nas décadas de 1880 e 1890 se realizavam no Porto “serenatas afamadas”.

César das Neves, professor de música no Liceu da Ordem do Carmo, autor de um método de guitarra e recolector do “Cancioneiro de Músicas Populares” (1893-1895-1898), publicou em 1902 um “Compêndio de Musica, solfejo e canto coral para alunos de ambos os sexos” (Porto, Livraria Portuense de Lopes & Companhia, 1902), onde transcreve canções da sua própria autoria destinadas a serenatas (Canção Fluvial, Pôr do Sol, Crepúsculo).

Entre finais do século XIX (década de 1890) e a década de 1920, a casa portuense "Eduardo da Fonseca. Armazem de musica, pianos e outros instrumentos", sita na Praça de Carlos Alberto, nº 8, lançou no mercados profusas edições de partituras em folheto volante e em brochuras de 12 peças impressas. Estas edições podiam ser compradas localmente ou encomendadas através de cobrança postal, servindo clientelas do Porto, Coimbra, Lisboa, tunas rurais e urbanas, serenateiros, professores de música, orquestras ligeiras activa em casinos, ensaiadores provinciais de teatro amador e ambulante, filarmónicas e serões familiares ao piano.

Na 1ª série destaquemos a versão primitiva do "Fado Serenata do Hylario" (Ouvi dizer ao luar). Na 2ª série encontramos o "Fado das Três Horas" (Murmura, rio, murmura), e o "Fado Boémio" (Guitarra, minha guitarra) de Varela. A 3ª série integrava "Canção d'Amor" (Já cantam os trovadores), "Fado Monte Estoril" , "Fado Apuliense", "Fado Novo de Coimbra", "Pallidas Madrugadas", e "Fado de Braga". Este tipo de brochuras estava no auge da moda, oferecendo à clientela um repertório eclético constituído por fados tipo Lisboa, temas no estilo da Canção de Coimbra e raríssimas canções populares. Na verdade, o título, em letras garrafais, apostava na publicidade enganosa ao anunciar "12 cantos populares". As melodias vendidas por Eduardo da Fonseca não eram recolhas folclóricas, mas sim repertório eclético urbano de autor, expressamente produzido para consumo urbano, formatado e tornado acessível através da harmonização para piano.

E se alguns autores tinham ficado anónimos, outros eram bem conhecidos do grande público como um Augusto Hilário, um Reynaldo Varela ou um Manassés de Lacerda. A prática da guitarra e dos temas de serenata conheceu nova vaga com a fundação da Universidade do Porto.

Pela década de 1920 mantinham-se activos diversos nomes, entre eles Luís Eloy da Silva e a formação do cantor Carlos Leal (com discos gravados). Por 1936/1937 actuava regularmente no Porto um grupo musical (Os Samedo), de cujo repertório faziam parte “Rendilheiras de Vila do Conde” e “À Meia Noite ao Luar”. O último espécime foi trazido para Coimbra por estudantes portuenses, por volta de 1937, e ali aclimatado localmente pelo cantor Manuel Simões Julião.

quarta-feira, 2 de Julho de 2008

A Tuna Académica do Porto entre 1864 e 1909

Datam de 1864 as primeiras notícias de um agrupamento deste género no Porto.

Em 1890 a Tuna Académica do Porto, sob a direcção de Raul Laroze Rocha, apresenta-se em Salamanca e Madrid. Mais tarde, no Carnaval de 1897, realiza nova digressão a Espanha, apresentando-se em Santiago de Compostela, sob a regência de Carlos Quilez.

Em 1899, participa nas comemorações do primeiro centenário do nascimento de Almeida Garrett, sob direcção de Henrique Carneiro. Passado um ano, em Janeiro de 1900, a Tuna instala-se na rua dos fogueteiros e da regência encarregam-se, sucessivamente, os maestros Sousa Morais e Costa Carregal. Apresenta-se em Março, perante a Academia do Porto, e efectua vários recitais em Lisboa. Em 1902 visita a Galiza, onde mais tarde tornará, em 1909, já sob a direcção de Prazeres Rodrigues. Entretanto é criado a 6 de Março de 1912 o "Orpheon Académico do Porto". Em 1913 a regência passa para Marcos António da Silva

A 6 de Fevereiro de 1881 é interpretado pela 1ª vez o "Hino Académico do Porto" do Dr. Aires Borges. Em 1909 sob a direcção de Prazeres, desloca-se à Galiza - a que se reporta a foto acima, datada desse ano e dessa mesma digressão.

Em carta enviada ao O.U.P. a 10 de Julho de 1959, por José Dórdio Rebocho Paes e publicada no jornal do Orfeão seguem as seguintes palavras e sobre essa mesma digressão à Galiza:

" Em 1891 havia aí no Porto três grupos musicais. O mais importante era a Tuna Académica de que eu fazia parte. O seu reportório não era muito vasto e cantava a "Gioconda", "Entreacto de Carmen", " Serenata de Gounod", "Serenata de Bandolim", etc etc. Fizeram-se grandes excursões a Braga, Viana do Castelo, Aveiro e Ílhavo. Deram-se vários concertos no Teatro Principe Real [1] tendo colaborado num destes Guerra Junqueiro, recitando versos seus no Palácio de Cristal, em matinée.

...em 1890 fez-se uma excursão a Salamanca e Madrid, que foi acompanhada por vários estudantes adidos de Lisboa e Coimbra. Tocamvam-se os dois hinos, o português e o espanhol e dois ou três pasacalles. A Viagem foi triunfal principalmente em Salamanca, o Teatro Eslava foi entusiaticamente aplaudido. Em Madrid não fomos tão bem recebidos pois e dizia que iamos lá por motivos politicos. No entanto houve reunião no Anfiteatro da Faculdade de Medicina, onde se discursou com entusiasmo e no hotel onde nos instalamos fomos cumprimentados por Salmeron [2].

Visitamos todas as faculdades, o Museu do Prado e houve um beberete "en honor de los estudiantes portugueses". Foi-nos oferecido pelo Dr. Esquizinho, neurologista distinto, um almoço no seu manicómio em Carabanchel, próximo de Madrid, correndo entusiásticamente."

A. da Costa refere no Jornal Porto Académico no artigo "Dos tempos que já lá vão" e sobre a digressão de 1909:

" Marcado o dia da largada, na hora da partida lá estavam todos na Estação de São Bento com os instrumentos, a bandeira da Tuna tufada de fitas cujo colorido era um grito de alegria no meio das Capas Negras daquela embaixada de aventura e da mais ridente gaia Lusitana. A viagem foi farta em peripécias e anedotas cheias de graça. Quando atravessamos a fronteira mais nenhum de nós falou português e a língua de Cervantes era "esfaqueada" a propósito de tudo e de nada [3]. Quando chegamos a S. Tiago de Compostela toda a cidade académica estava à nossa espera na estação e as saudações redobravam de entusiasmo, a que nós correspondiamos com todo o calor e vibração da alma portuguesa que levava à Galiza amiga o abraço generoso da gente de Portugal.

A Tuna formou a custo sob a regência do Prazeres e ao som dos acordes do Hino Académico rompeu a marcha pelas calles de Compostela entre vivas, palmas e flores a caminho do Ayuntamiento para cumprimentos ao Alcaide. Durante o percurso, das janelas e das varandas, as flores caíam sobre a Tuna, abriam-se sorrisos em bocas frescas das mulheres de Espanha; cobriam.se olhares de curiosidade e de ternura que faziam vibrar, sob as nossas Capas Negras, as nossas almas juvenis."




[1] Actualmente Teatro Sá da Bandeira.

[2] Nicolás Salmerón Alonso foi Presidente da então Republica Espanhola, em 1873.

[3] Curioso como nada se altera hoje em dia e olhando para trás.

Fonte: Contracapa do CD "Um Percurso".